Perfil Vocal dos Professores
O professor vive diariamente dentro da sala de aula várias situações em que precisa usar sua voz com forte intensidade, sobrecarregando seu aparelho fonador, podendo ainda provocar uma alteração vocal. Um dos sintomas que aparecem primeiramente é a fadiga vocal sendo notada principalmente à noite, depois de muitos abusos; ocorrendo uma melhora depois do descanso. (FERREIRA, 1998)
O ambiente de trabalho do professor deveria ser arejado sem poeira ou umidade, com acústica que favoreça a projeção de sua voz, nível de ruído mínimo que não atrapalhe e o leve a competir com sua voz. Mas sabe-se que isto não é o que acontece, na grande maioria das salas de aula. Somando-se a todos estes fatores, ainda temos que observar a carga horária de trabalho que na maioria das vezes não permite nem um intervalo para que o professor faça um repouso vocal. Por isso, é de fundamental importância, que o professor conheça seu esquema corporal vocal. Desse modo, ele estará prevenindo as futuras alterações acarretadas pela ansiedade, angústia, mau uso vocal ou abuso vocal, esforço na musculatura laríngea e fatores psicológicos, devido sua longa jornada de trabalho diário. Os sintomas vocais mais comumente encontrados são: cansaço, fadiga vocal, perda da intensidade, ensurdecimento do timbre, tom elevado, voz abafada, presa e sem projeção rouquidão, a afonia, além de tensão na coluna cervical, postura corporal e respiração inadequada. (PINTO e FURCK, 1988)
De acordo com Gonçalves (2000) os professores precisam da voz para desenvolver sua atividade profissional. Por isso, faz-se necessário ser conscientizado quanto ao modo adequado de utilizá-la sem comprometer e prejudicar seu aparelho fonador. È importante que evite hábitos vocais nocivos como: gritar, falar em intensidade alta e por muito tempo. Estes hábitos podem causar cansaço vocal levando a rouquidão, por isso, eles devem ser evitados e substituídos por uma fala mais articulada, com inflexões e com uma respiração mais coordenada, favorecendo deste modo, a inteligibilidade de sua fala e o envolvimento de todos os alunos da sala.
A jornada de trabalho do professor é extensa, com sobrecarga de trabalho, além disso, muitas das vezes sua alimentação, seu sono, seu vestuário, o abuso vocal, o uso do fumo e o álcool contribuem para uma piora na qualidade vocal devido à falta de conscientização quanto a prevenção da disfonia (BATTISTI, 2002).
Behlau (2005) relata que os traços preferidos para a voz do professor é aquela que tenha modulação expressiva, com uma intensidade forte e freqüência média, articulação precisa, velocidade de fala que deve ser de acordo com o assunto, boa projeção vocal e ressonância laringo-faríngea; para que tudo isso aconteça o professor, além de ser orientado sobre saúde vocal, deve mudar os hábitos nocivos à sua saúde e melhorar seu espaço de trabalho. A qualidade vocal desse profissional traduz autoridade, confiança e controle sobre seus alunos.
Na profissão docente, a voz é fator relevante tanto para o desempenho profissional e sua atuação em sala de aula, quanto para o processo ensino-aprendizagem, para a sua própria construção da identidade e de seu trabalho. Deste modo, os órgãos da fonação necessitam estar bem adaptados para não surgir sintomas vocais que podem prejudicar sua carreira profissional. O professor é a categoria profissional mais acometida por alterações vocais por uso indevido ou uso abusivo da função fonatória. (PALHETA, 2008,a)
O processo comunicativo e interacional estão presentes de forma constante na atividade profissional dos professores, onde a cada dia a relação interpessoal vem ganhando destaque e se aperfeiçoando. Deste modo, o uso adequado da voz é de suprema importância para o bom desempenho desses profissionais, que têm em seus ambientes de trabalho muita competição sonora exigindo um maior esforço e aumentando assim a demanda vocal. (PENTEADO, 2009).